^ Voltar ao topo
(75) 3623-0940

Tradição e Cultura: Festa da Boa Morte em Cachoeira - BA

Tradição e Cultura: Festa da Boa Morte em Cachoeira - BA

Em 2020 a festa de Nossa Senhora da Boa Morte, uma das celebrações religiosas mais importantes da Bahia, completa seus 200 anos de tradição e cultura. Comemorado todos os anos, do dia 13 a 17 de agosto, essa bela e grandiosa celebração chama a atenção de visitantes, fotógrafos e pesquisadores do mundo inteiro.

Normalmente, as ruas de Cachoeira, aqui na Bahia, se enchem de mulheres vestidas com trajes de gala, cortejando a Nossa Senhora da Boa Morte para que ela rogue por nós na hora de nossa morte.

Mas, como a festa é organizada pela Irmandade da Boa Morte, composta por mulheres idosas (grupo de risco para a covid-19), esse ano a festa foi celebrada virtualmente.

E você, já conhecia essa autêntica manifestação cultural da Bahia? Em homenagem aos 200 anos da celebração, a Pax Bahia te convida hoje a entender um pouquinho melhor da origem e das tradicionais celebrações desta festa. Continue com a gente.

A origem da Festa de Boa Morte

Segundo o IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), a devoção à Nossa Senhora pode ser percebida há muitos anos em todo o ocidente a partir da expansão católica.

Para a crença católica, o título de Nossa Senhora da Boa Morte é dado à Virgem Maria ao fazer a passagem da vida terrena para a vida celestial. As pessoas rezam para que a Nossa Senhora rogue por elas na hora da morte, já que a alma depende da salvação eterna.

O significado da Boa Morte na Bahia

Aqui no Brasil, mais especificamente em Salvador, na Bahia, essa devoção também sofreu influências das religiões afro-brasileiras, e é uma festa exclusivamente feminina negra.

A história da Boa Morte na Bahia ganha outros significados a partir da dolorosa história brasileira: a devoção teve origem na resistência das mulheres africanas pelo fim da escravidão.

As devotas de Nossa Senhora pediam proteção e uma morte tranquila, assim como o fim da escravidão. Depois de alforriadas e livres, as mulheres negras comemoram o dia com comidas e danças na sede da Irmandade.

As culturas cristãs e afro-brasileiras se misturam na comemoração. O cajado, a tocha e o brasão, tidos como símbolos da Boa Morte, são referências à passagem espiritual do Aiyê (terra, mundo físico) ao Orun (mundo espiritual).

A Irmandade da Boa Morte

A Irmandade, como já dito aqui, é composta por mulheres negras idosas e é considerada uma das primeiras irmandades exclusivamente femininas do Brasil. Estima-se que ela tenha sido fundada por volta de 1820, mas infelizmente por conta do desgaste do tempo, incêndios e mudanças de local, a maior parte das escrituras foi perdida.

Ela exerce, desde a época de uma sociedade ainda escravocrata, o papel de um ambiente de resistência e amor ao povo negro. Na Irmandade, as mulheres professavam a religião dominante ao mesmo tempo em que cultuavam e celebravam suas crenças ancestrais.

As celebrações eram, e continuam sendo, caracterizadas por atos litúrgicos com banquetes, muita música e símbolos africanos.

Hoje, Cachoeira é o local para onde a população negra de todo o Brasil recorre em busca de suas origens. A cultura se mantém porque a Festa da Boa Morte é, até hoje, uma representação da resistência feminina negra.

Atos da procissão

Todo ano é feita uma eleição geral para escolher a comissão da festa na Irmandade. São quatro cargos, responsáveis pelos detalhes da celebração: juíza perpétua, provedora, tesoureira e escrivã. Depois da eleição, as irmãs saem pelas ruas de Cachoeira recolhendo verba para a festa.

A seguir, entenda melhor o que acontece em cada dia:

13 de agosto

É celebrada uma missa para as irmãs que já faleceram. Começa o translado do corpo de Nossa Senhora da Boa Morte da Capela de Nossa Senhora D'Ajuda em procissão pelas ruas de Cachoeira.

Elas vão vestidas de branco, em referência a uma boa morte na crença afro-brasileira.

14 de agosto

Missa de corpo presente de Nossa Senhora na Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, e então, a procissão do enterro da Nossa Senhora da Boa Morte pelas principais ruas de Cachoeira.

15 de agosto

No terceiro dia, a procissão sai, ainda pela manhã, da sede da Irmandade carregando flores e o andor de Nossa Senhora da Glória. O dia inicia com fogos de artifício, depois é feita uma missa solene da assunção de Nossa Senhora da Igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário. Antes do almoço das irmãs com seus convidados, é feita uma roda de samba no largo D’Ajuda, que se repete mais tarde.

16 de agosto

Às 18h00 é servido um cozido feito com a mistura de verduras e carnes, acompanhado de pirão, e em seguida é feita uma roda de samba no largo D’Ajuda.

Oferecer comida é a equivalência à abundância e prosperidade.

17 de agosto

No último dia, é preparado um Caruru seguido de samba de roda e o encerramento da festa.

No final, as irmãs entregam flores perfumadas às águas.

Preparamos este artigo para homenagear essa bela cultura e esperamos que você tenha aprendido um pouco mais e gostado da leitura. Mas a melhor maneira de conhecer a verdadeira riqueza dessa tradição é fazendo parte dessa experiência. Que tal fazer uma viagem à Cachoeira?

É incrível como as diferentes culturas lidam com a morte e homenageiam aqueles que se foram. Se você está buscando uma maneira de homenagear os seus entes queridos, não deixe de conferir os benefícios de um plano de assistência familiar.

Para mais conteúdos como este, repleto de informações sobre saúde, assistência familiar, bem-estar, qualidade de vida e muito mais, continue acompanhando nossos conteúdos e não esqueça de deixar seu feedback. Assine nossa newsletter para receber as novidades em primeira mão!

Atendimento

Av. Sampaio, Nº 296, Centro
Feira de Santana - BA - 44125-280

(75) 3623-0940 / 3485-1210

paxbahia@paxbahia.com.br

Clique para ampliar